Jonas e a compaixão de Deus por Nínive
A história de Jonas costuma ficar na imagem do grande peixe, mas o ponto mais forte do livro está no último capítulo. Nínive se arrependeu, Deus mudou de ideia sobre o castigo, e Jonas, em vez de se alegrar, ficou muito irritado (Jonas 4).
Quando não queremos que "aquele povo" seja perdoado
Nínive era a capital de um império cruel que ameaçava Israel. Jonas conhecia bem o caráter de Deus: ele fugiu, em parte, porque sabia que o Senhor é compassivo e lento em se irar. Não queria que os inimigos fossem poupados. É um espelho desconfortável: também podemos aceitar a graça para nós e, no fundo, desejar que certas pessoas ou grupos não a recebam.
A pergunta que fica
Deus responde a Jonas com uma planta que cresce e seca, para mostrar que o profeta se importava com a sombra e não com as pessoas. E o livro termina, sem resposta de Jonas, com uma pergunta de Deus: não teria ele o direito de ter compaixão de Nínive, uma cidade enorme, com mais de cento e vinte mil pessoas que nem sabiam distinguir a mão direita da esquerda, e também de muitos animais?
O coração de Deus abrange pessoas que ainda não o conhecem, e até os animais da cidade. A pergunta ficou em aberto de propósito, para que cada leitor responda.
O que isso diz para a missão
- Deus ama povos inteiros, inclusive os que nos parecem inimigos ou distantes.
- A missão começa em ter o coração de Deus: compaixão, e não somente senso de dever.
- É possível obedecer por fora e ainda assim resistir por dentro. Convém pedir a Deus um coração novo.
Para praticar hoje
- Pergunte-se com sinceridade: existe algum grupo de pessoas que eu não quero ver perdoado ou alcançado? Leve isso a Deus.
- Ore pelo nome de um povo considerado "difícil" ou "inimigo" por muita gente.
- Peça compaixão, e não apenas coragem.
- Responda à pergunta de Deus em oração: "Senhor, o Senhor tem razão em amar o que ainda não conhece. Ensina-me a amar também."
Deus se importa com Nínive. Que também nos importemos.